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Economia Em Tempos De Coronavírus

Economia em tempos de coronavírus

Lições de grandes economistas para os mercados brasileiros

O cenário econômico mundial de 2020, embora contaminado pelo coronavírus, talvez não seja tão tenebroso quanto vem sendo traçado, mas o momento atual é mais de incerteza em relação à extensão dessa crise. Para o economista Ricardo Amorim, o pânico ganhou dimensões ainda maiores que o próprio vírus. “Medo gera pânico, o que pode impactar na venda dos supermercados. China e Itália tiveram processos de corridas ao supermercado para comprar produtos. Pode acontecer no Brasil?”, questiona Amorim.

Ricardo Amorim palestrante no 2º Super Fórum
Ricardo Amorim é o economista mais influente do Brasil, segundo a revista Forbes e, durante o 2º Super Fórum, falou sobre sobre as tendências da economia para o Brasil e o mundo.

A verdade é uma só. “Ainda não sabemos que hora diremos que o pior já passou”, afirma a economista Zeina Latif, consultora da XP Investimentos. Os dois economistas palestraram durante o 2º Super Fórum, realizado em 5 de março, no Expo Center Norte, em São Paulo.

A verdade é que muito antes do coronavírus, Zeina já vinha trabalhando com um cenário internacional desafiador para 2020, por conta da guerra comercial entre Estados Unidos e China. O ano também é de eleição presidencial nos Estados Unidos. Se antes esse não era um grande tema para os mercados, agora é. Nas mãos de quem ficará a maior economia do mundo?

Zeina Latif Palestrante no 2º Super Fórum
Zeina Latif também esteve presente no 2º Super Fórum, onde destacou a importância da transparência na economia. Ela é uma das mais respeitadas especialistas em análise e diagnóstico do cenário econômico.

A grande preocupação refere-se à desaceleração da China, que ganha mais combustível com o coronavírus. E com a China desacelerando, episódios anteriores apontam que ela se voltará às políticas de consumo interno. Essa decisão impacta diretamente o Brasil que, no início de 2020, tinha a expectativa de aumento dos investimentos diretos chineses no país. “Pode esquecer. Agora, a China vai focar nos seus problemas internos e reduzir investimentos não só no Brasil, mas no mundo todo”, explicou Zeina, em entrevista à revista Super Fórum.

O Brasil ainda terá que digerir a queda no preço das commodities, que inevitavelmente impactará no comércio mundial. E o contágio do coronavírus via dólar. Para quem pensa que o dólar alto ajuda a economia, Zeina lembra que no curto e médio prazo ele atrapalha. Motivo: encarece insumos e bens de capital. Ainda mais diante da alta volatilidade do dólar.

Se a alta do dólar ainda fosse gradativa, o setor produtivo poderia ao menos se preparar. Mas a volatilidade ocorre sem aviso prévio e puxa a economia para baixo.

Antes da resolução dessas medidas mais complexas, há frutos que a economia brasileira pode colher já. Esse é o caso da Selic em 4,25%. Em 2016, lembra a economista, com a saída de Dilma, a taxa estava em 14,25%. “Como eu tenho dito, a gente tem efeito de corte de juros para se materializar. Esse é um movimento que não é imediato. Ele leva até dois trimestres para se concretizar e começar a gerar impacto na economia. O auge ocorre um ano depois. O crédito voltando traz mais potência para a política monetária. Somos um país cujo consumo interno move a economia. As taxas de juros baixos vieram para ficar”, explica Zeina.

Por esse motivo, ela não enxerga um quadro negativo para o varejo, setor que tende a ser mais preservado. “O consumo das famílias está avançando e a tendência é continuar por conta da melhora lenta do mercado de trabalho, aumentando assim a confiança do consumidor.” Diante de qualquer aumento do grau de confiança, lembra Amorim, o supermercado é o primeiro a se beneficiar. Diferentemente do setor imobiliário que, para vender uma casa, precisa contar com um grau de confiança muito grande.

Vale lembrar que esse avanço do consumo interno não é um movimento uniforme. Alguns setores irão melhores que os outros, a depender do acesso do cliente ao crédito.

E o Brasil?

Apesar do cenário mundial desafiador, o Brasil tem vários pontos que contam a seu favor. “A gente ainda tem muito efeito do corte de juros para se materializar. A grande força da economia brasileira é a demanda interna”, observa Zeina.

Uma agenda de reformas também seria positiva para o país, ajudando na atração de investidores externos. Para isso, no entanto, a economista pede que o governo foque mais e disperse menos. “O melhor remédio para conter o contágio do coronavírus é mostrar que o país tem uma agenda econômica bem definida e um governo focado.”

Embora as incertezas impeçam um palpite mais assertivo em torno da previsão de crescimento do PIB em 2020, Zeina acredita que o Brasil poderá avançar 1,9%. Muitos analistas baixaram as expectativas de 2,3%, do início do ano, para 1,5%.

De qualquer forma, a expectativa é mais positiva que o desempenho de 2019 – a soma de todos os bens e serviços finais produzidos pelo país foi de 1,1%. “Se o coronavírus não jogar a economia mundial em uma recessão – um risco que vem aumentando – o crescimento do PIB em 2020 vai ser maior que o registrado nos últimos três anos”, estima Amorim.

Arrancadas de crescimento, de 3% a 3,5%, já não estavam no radar do Brasil e não era para já. O país terá primeiro que resolver suas fragilidades como aprovar as reformas urgentes, capacitar melhor a mão de obra, baixar o custo Brasil, simplificar as taxas tributárias, dentre outras.

* Este conteúdo é parte da Revista Super Fórum, que tem o objetivo ajudar executivos tomadores de decisão do varejo a conhecerem novidades, tendências e os caminhos para qual o setor seguirá no futuro, no Brasil e no mundo. Para acessar a publicação completa, clique aqui.

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